Em trabalhos escolares e leituras para prova, um resumo existe para reconstruir a história e as ideias centrais com fidelidade. O problema começa quando a opinião do aluno entra como se fosse parte do enredo, mudando o tom e, às vezes, até o sentido do texto original.
No Brasil, isso acontece muito por ansiedade de “mostrar entendimento”, por confusão entre gêneros (resumo, resenha, comentário) e por modelos ruins vistos em redes sociais. Com alguns critérios simples, dá para separar fato do texto e reação pessoal, sem perder clareza.
Este conteúdo é para quem está no nível iniciante ou intermediário e precisa entregar resumos mais objetivos, especialmente em contexto de escola, cursinho, vestibular e tarefas de leitura.
Resumo em 60 segundos
- Leia com um objetivo: identificar quem faz o quê, quando, onde e por quê.
- Antes de escrever, anote 5 a 8 eventos ou ideias centrais em ordem.
- Transforme cada evento em 1 frase neutra, sem adjetivos de julgamento.
- Use verbos de relato: mostra, narra, apresenta, explica, argumenta.
- Teste rápido: se a frase começa com “eu acho”, “na minha visão”, “é bom/ruim”, corte.
- Se precisar indicar ponto de vista do autor, escreva “o autor defende” (não “eu concordo”).
- Revise procurando “sinais de avaliação”: incrível, chato, absurdo, merece, deveria.
- Finalize conferindo: dá para entender a história/ideia sem saber o que você pensa sobre ela?
O que o professor realmente espera de um resumo

Na maioria das escolas, o resumo é avaliado como fidelidade e organização: se você manteve os fatos principais, a sequência e a ideia central do texto. Ele não é o lugar para convencer, criticar ou recomendar.
Quando o avaliador lê um resumo, ele busca sinais de que você leu com atenção: nomes corretos, relações de causa e consequência, conflitos, desfechos e conceitos-chave. Em geral, “encher” com julgamento pessoal não soma e ainda pode atrapalhar.
Se a tarefa pede outra coisa (por exemplo, “faça uma resenha” ou “dê sua interpretação”), aí sim entra análise. O ponto é: seguir o comando e entregar o gênero certo.
Quando a opinião invade o resumo e como cortar
O erro mais comum é trocar o relato por avaliação. Em vez de dizer “o personagem foge da cidade após o conflito”, o aluno escreve “ele foge porque é fraco” ou “isso foi ridículo”, criando uma camada que não estava no texto.
Para cortar, use um método simples: reescreva a frase como se fosse notícia, mantendo apenas o que pode ser apontado no texto. Se não dá para provar com um trecho, provavelmente é reação pessoal.
Outro cuidado é não confundir “ponto de vista do autor” com “meu ponto de vista”. Você pode registrar que o autor critica algo, defende uma ideia ou aponta um problema, mas sem dizer se você gostou.
Sinais práticos de que você saiu do modo “resumo”
Algumas palavras entregam que você está comentando em vez de resumir. Adjetivos como “maravilhoso”, “horrível” e “sem noção” mudam o texto de informativo para avaliativo.
Expressões como “na minha visão”, “eu senti”, “acho que”, “merecia” e “deveria” também são alarmes. Em resumo, sua voz pessoal não é necessária para o leitor entender o que aconteceu.
Até elogios viram problema: “o autor escreve muito bem” não conta a história nem explica a ideia central. Isso pertence a uma análise, não a uma síntese do conteúdo.
Passo a passo para transformar comentários em frases neutras
Primeiro, faça uma lista curta com os acontecimentos ou argumentos em ordem. A ordem é o trilho: ela impede que você “opine” para preencher buracos de memória.
Depois, para cada item, responda só ao essencial: quem, o quê, por quê e consequência. Evite adjetivos. Se precisar indicar tom, prefira verbos de relato: “o narrador ironiza”, “o autor questiona”.
Por fim, revise procurando frases que explicam demais. “Porque ele é egoísta” é diferente de “porque quer proteger sua imagem”, quando o texto mostra isso. A regra é: explique apenas o que o texto sustenta.
Erros comuns que parecem “capricho”, mas mudam o sentido
Um erro sutil é trocar causa por julgamento. Exemplo: o texto diz que alguém desiste por falta de recursos, e o resumo vira “desistiu porque não se esforçou”. Isso altera a lógica e pode ser lido como distorção.
Outro erro é escolher só cenas que você gostou e ignorar o resto. Isso não é síntese; é seleção pessoal. Resumo precisa cobrir os pontos que sustentam a história ou a tese.
Também é comum adicionar informação “provável”, como se fosse fato. “Ele deve ter pensado…” é chute. Se o texto não afirma, o resumo não deve afirmar.
Regra de decisão rápida: pode provar no texto?
Quando bater dúvida, use uma regra simples: eu consigo apontar onde isso aparece? Se a frase depende da sua interpretação ou de um “parece”, ela precisa ser reescrita.
Isso não significa apagar compreensão. Significa expressar compreensão sem inventar. Em vez de “o personagem é maldoso”, prefira “o personagem prejudica o colega ao esconder a informação”.
Essa regra ajuda muito em resumos de filmes e livros pedidos na escola, onde o avaliador quer o enredo e os eventos-chave, não a sua crítica pessoal.
Variações por contexto no Brasil: escola, vestibular e faculdade
Na escola, o resumo costuma ser curto e focado em enredo e personagens, ou em ideias centrais do texto de apoio. Em vestibular e cursinho, o resumo pode ser usado como técnica de estudo, então precisa ser rápido e revisável.
Na faculdade, pode existir resumo “acadêmico” com padrão mais técnico e objetivo, às vezes com normas específicas. Nesse caso, o tom neutro fica ainda mais importante, porque o resumo funciona como apresentação do conteúdo do trabalho.
Há também variação de formato: manuscrito em sala, digitado em casa, ou por plataforma. Em prova, o risco de “opinar” aumenta por pressa. Em casa, o risco aumenta por excesso de liberdade e por copiar trechos sem entender.
Quando buscar ajuda de um professor, bibliotecário ou mediador
Se você sempre recebe devolutiva do tipo “isso virou resenha”, “faltou fidelidade” ou “você inventou coisas”, vale pedir um exemplo de resumo bem avaliado da própria turma. Um modelo real reduz confusão de gênero.
Também ajuda levar um parágrafo seu e perguntar: “aqui eu estou resumindo ou comentando?”. Um professor, bibliotecário escolar ou mediador de leitura costuma identificar rapidamente palavras de julgamento e inferências sem base.
Se o problema for compreensão do texto (linguagem difícil, vocabulário, ironia), não é vergonha pedir orientação de leitura. Melhor entender o texto primeiro do que preencher lacunas com achismo.
Fonte: ifba.edu.br — manual acadêmico
Prevenção e manutenção: como revisar sem reescrever tudo

Uma revisão eficiente começa com caça a adjetivos. Passe o olho procurando palavras que avaliam: “péssimo”, “brilhante”, “injusto”, “sem sentido”. Troque por descrição de ação ou por ideia central do autor.
Depois, procure “eu” e “minha” no texto. Em resumo, quase sempre é sinal de que você saiu do gênero. Reescreva com sujeito neutro: “o texto apresenta”, “a história mostra”, “o autor argumenta”.
Por fim, confira se seu resumo tem começo, meio e fim. Mesmo curto, ele precisa apresentar contexto, o principal desenvolvimento e o desfecho ou conclusão do texto original, sem lacunas “tapadas” por opinião.
Fonte: ufmg.br — resumo acadêmico
Checklist prático
- Consigo dizer o tema em uma frase neutra, sem elogio ou crítica.
- Listei de 5 a 8 pontos principais antes de escrever.
- Mantive a ordem dos acontecimentos ou dos argumentos do texto base.
- Usei verbos de relato (narra, apresenta, explica, defende) em vez de julgamentos.
- Cortei adjetivos avaliativos e troquei por ações ou fatos observáveis.
- Não inventei pensamentos, intenções ou motivos que o texto não mostra.
- Evitei “eu acho”, “na minha visão”, “merece”, “deveria”.
- Se mencionei ponto de vista, atribuí ao autor (o autor defende, critica, questiona).
- Incluí personagens/elementos centrais sem focar só no que eu lembrava melhor.
- Meu texto dá para entender sem a pessoa saber se eu gostei ou não da obra.
- Revisei procurando exageros e generalizações (“sempre”, “nunca”) que não estão no original.
- Relí o primeiro e o último parágrafo para checar se há fechamento coerente.
Conclusão
Quando um resumo vira comentário, ele perde a função principal: mostrar o conteúdo com fidelidade e clareza. Separar relato de julgamento deixa seu texto mais objetivo e costuma melhorar a avaliação, porque facilita para quem lê conferir se você entendeu o original.
Se você costuma “escorregar”, não é falta de capacidade: geralmente é falta de método. Planejar os pontos principais, usar verbos de relato e revisar palavras avaliativas resolve a maior parte dos casos sem sofrimento.
Na sua experiência, o que mais te faz colocar julgamento no resumo: pressa, nervosismo, ou confusão entre resumo e resenha? E qual tipo de texto te dá mais trabalho para resumir: livro, filme ou artigo?
Perguntas Frequentes
Posso usar “o autor critica” em um resumo?
Sim, quando isso está claro no texto base. Essa formulação atribui o ponto de vista ao autor, em vez de transformar o resumo em comentário pessoal. Evite completar com “e eu concordo”.
Resumo precisa ter início, meio e fim mesmo sendo curto?
Precisa ter uma progressão mínima. Apresente o contexto, registre os pontos centrais e feche com o desfecho do enredo ou com a conclusão do argumento. Sem isso, vira lista solta.
O que fazer quando eu não entendi uma parte do texto?
Marque a parte difícil e tente recontar só o que você tem certeza. Se a tarefa permitir, releia o trecho e procure palavras de ligação (porque, portanto, porém). Se continuar travado, peça ajuda a um professor ou mediador de leitura.
É errado usar adjetivos em resumo?
Nem todo adjetivo é proibido, mas os avaliativos são o problema. “Triste” pode ser fato se o texto descreve explicitamente; “ridículo” é julgamento. Prefira descrever ações e consequências.
Como resumir filme sem virar crítica?
Conte o enredo como sequência de eventos, destacando conflito e resolução. Se quiser indicar clima, use descrições do que acontece (silêncio, tensão, perseguição) em vez de dizer se o filme é bom ou ruim.
Meu professor pediu “resumo crítico”. Aí posso comentar?
Se o comando inclui “crítico”, há espaço para análise, mas ainda precisa existir uma parte de síntese fiel. Nesse caso, separe mentalmente: primeiro resuma o conteúdo, depois avalie com argumentos. Se o comando não estiver claro, peça exemplo do formato esperado.
Como evitar copiar frases do texto original?
Feche o texto base por alguns minutos e escreva só com suas anotações de pontos principais. Depois, reabra para checar se não distorceu fatos e para corrigir nomes e ordem. Isso ajuda a parafrasear sem inventar.
Referências úteis
Universidade Federal de Minas Gerais — orientação sobre resumo acadêmico: ufmg.br — resumo acadêmico
Instituto Federal da Bahia — manual com seções sobre gêneros acadêmicos: ifba.edu.br — manual acadêmico
UFMG Letras — material sobre resumo e ABNT (PDF): ufmg.br — resumo e ABNT











