Na escola, muita gente trava porque recebe uma orientação curta e precisa adivinhar o formato do trabalho. A dúvida entre Resenha ou resumo é comum, especialmente quando o professor escreve apenas “faça um texto sobre o livro”.
Na prática, a diferença não é só o tamanho do texto, mas o que ele precisa entregar: recontar com fidelidade ou avaliar com argumento. Quando você aprende a identificar pistas no enunciado, evita retrabalho e entrega algo alinhado ao que será corrigido.
Resumo em 60 segundos
- Leia o enunciado e circule verbos: “apresentar”, “sintetizar”, “analisar”, “avaliar”, “opinar”.
- Procure critérios de correção: “clareza”, “fidelidade”, “argumento”, “ponto de vista”, “referências”.
- Se pedirem “sem opinião”, “apenas os fatos”, o caminho tende a ser síntese fiel.
- Se pedirem “posicionamento”, “crítica”, “pontos fortes e fracos”, o caminho tende a ser texto avaliativo.
- Confira se há estrutura exigida: capa, introdução, desenvolvimento, conclusão, citações.
- Use a “regra do parágrafo-teste”: 1 parágrafo recontando e 1 parágrafo avaliando; veja qual se encaixa no pedido.
- Antes de escrever tudo, faça um rascunho de 8 a 12 linhas e valide com o professor.
- Se ainda houver dúvida, pergunte com duas opções objetivas: “Posso entregar em formato A ou B?”
O que muda de verdade entre sintetizar e avaliar

Um texto de síntese foca em explicar o conteúdo com fidelidade, sem tentar convencer ninguém. Ele organiza ideias principais, mostra a sequência lógica e deixa claro “do que se trata”.
Um texto avaliativo, além de explicar, toma posição com base em critérios. Ele comenta escolhas do autor, efeitos no leitor, qualidade do argumento e coerência, sem virar “gostei/não gostei” vazio.
Pense assim: um formato responde “o que o texto diz”; o outro responde “como o texto funciona e por quê”. Quando você confunde as duas coisas, costuma faltar ou conteúdo, ou análise.
Pistas no enunciado: palavras que entregam o tipo de tarefa
Os verbos do comando são o atalho mais confiável. “Resumir”, “sintetizar”, “apresentar o enredo” e “apontar ideias principais” puxam para síntese.
Já “analisar”, “avaliar”, “comentar”, “problematizar”, “argumentar” e “emitir parecer” puxam para texto crítico. Quando aparecer “justifique”, entenda que você precisa explicar o motivo do seu ponto.
Se o enunciado é curto demais, procure a fala do professor em sala e o padrão de trabalhos anteriores. Em muitas turmas, o formato se repete ao longo do bimestre.
Resenha ou resumo: regra prática de decisão quando o pedido é vago
Use uma regra simples: se a nota depende de fidelidade ao conteúdo, priorize síntese; se a nota depende de critério e argumento, priorize avaliação. Essa regra funciona bem quando o professor escreveu apenas “faça um texto sobre a obra”.
Faça um teste rápido antes de produzir: escreva 5 linhas contando o essencial e 5 linhas comentando com critério. Depois, compare com o que o professor costuma valorizar na correção.
Se o trabalho pede “comparar com a realidade”, “relacionar com outro texto” ou “avaliar a mensagem”, isso é um sinal de que a opinião precisa aparecer, mas organizada e justificada.
Estrutura mínima para uma boa síntese escolar
Comece com identificação do material: autor, título, gênero e tema central. Em seguida, traga a ideia principal e os pontos mais importantes, em ordem lógica.
Evite detalhes pequenos que não mudam o sentido do texto. O foco é selecionar o essencial, não reproduzir tudo o que aconteceu.
Feche com uma frase que amarre o sentido geral, sem julgamento. Se o professor não pediu opinião, ela não deve aparecer “de lado” no final.
Estrutura mínima para um texto avaliativo que não vira achismo
Primeiro, apresente a obra e situe o assunto para quem nunca leu. Depois, formule um ponto central de avaliação, como “o texto convence?” ou “a narrativa sustenta o tema?”.
Na sequência, use 2 a 3 critérios claros: coerência, qualidade dos argumentos, construção de personagens, evidências, linguagem, contexto. Para cada critério, traga um exemplo do texto e explique o efeito.
Feche com um parecer responsável: para quem faz sentido, em que condições de leitura, e quais limites você percebeu. Isso mostra maturidade sem precisar “vender” a obra.
Erros comuns que derrubam nota (mesmo com boa escrita)
O erro mais frequente em síntese é incluir opinião escondida, como “o autor exagera” ou “o final é ruim”. Mesmo uma frase pequena pode mudar o gênero do trabalho.
No texto avaliativo, o erro clássico é opinar sem critério: “achei legal”, “é chato”, “é confuso”. Se não há exemplo e justificativa, parece impressão solta.
Outro problema é copiar trechos longos para “encher” o texto. Citação sem explicação vira volume, não argumento.
Passo a passo para montar o texto sem retrabalho
Primeiro, releia o enunciado e anote as palavras-chave do pedido. Depois, faça um mapa simples: tema central + 3 tópicos principais + 1 frase de amarração.
Em seguida, escreva um rascunho curto de 8 a 12 linhas e confira se ele entrega o que o comando pede. Só então expanda para o tamanho final com calma.
Por último, revise com uma lista objetiva: o texto tem começo, meio e fim; cada parágrafo fecha uma ideia; não há “opinião vazando” onde não deve.
Variações por contexto no Brasil: escola, cursinho e universidade
No ensino fundamental e médio, muitos professores chamam de “resenha” qualquer texto sobre livro, mesmo quando querem apenas síntese. Por isso, vale prestar atenção nos critérios: se cobram fidelidade e organização, provavelmente é síntese.
No cursinho, o pedido costuma ser mais pragmático: síntese para revisar rápido ou comentário para treinar repertório. O formato muda conforme a disciplina e a prova-alvo.
Na universidade, “resenha” normalmente implica avaliação com critérios e referência bibliográfica básica. Se houver norma institucional ou padrão do curso, siga esse modelo para evitar desconto formal.
Quando chamar um profissional faz sentido
Se a orientação está ambígua e a turma inteira está confusa, vale pedir ao professor um exemplo curto do que ele espera. Um minuto de alinhamento evita refazer o trabalho na véspera.
Quando o objetivo é aprender a escrever melhor, bibliotecários e mediadores de leitura podem ajudar a identificar tema, argumento e estrutura, sem “fazer por você”. Em escolas públicas, a biblioteca costuma ser o caminho mais direto.
Se a escola exige normas específicas (como formatação e referências) e você não domina isso, peça orientação ao professor de língua portuguesa ou ao coordenador pedagógico. Em caso de exigência formal, seguir padrão conta pontos.
Fonte: gov.br — MEC
Prevenção e manutenção: como evitar confusão na próxima tarefa

Guarde um modelo de cada formato no seu caderno ou no celular: um exemplo de síntese e um exemplo de texto avaliativo. Na próxima atividade, você compara o enunciado com esses modelos e decide mais rápido.
Crie o hábito de perguntar com precisão: “O senhor quer um texto só explicando o conteúdo ou também com comentário e avaliação?”. Essa pergunta reduz respostas vagas.
Depois da correção, anote o que foi cobrado de verdade: “fidelidade”, “organização”, “argumento”, “exemplos”. Esse histórico vira seu guia e diminui a ansiedade em tarefas futuras.
Checklist prático
- Identifique verbos do enunciado e escreva o que cada um pede na prática.
- Procure no caderno se o professor citou “opinião” ou “sem opinião”.
- Confira se pedem “ideias principais” ou “análise com justificativa”.
- Faça um rascunho curto antes do texto final.
- Em síntese, corte adjetivos avaliativos e comentários pessoais.
- Em texto crítico, escolha 2 a 3 critérios e use exemplos do material.
- Revise se cada parágrafo fecha uma ideia completa.
- Evite copiar trechos longos sem explicar o motivo da citação.
- Cheque se você respondeu exatamente ao comando, sem “inventar” exigências.
- Se o pedido está vago, aplique a regra: fidelidade versus critério.
- Peça validação do formato com 8 a 12 linhas de amostra.
- Depois da nota, registre o que o professor valorizou na correção.
Conclusão
Quando você aprende a ler o enunciado como um conjunto de pistas, o formato deixa de ser um chute. A decisão fica mais segura porque se apoia em verbos, critérios de correção e no que a escola costuma exigir.
Se ainda houver dúvida, o caminho mais prático é validar um rascunho curto antes de escrever tudo. Isso reduz retrabalho e ajuda você a evoluir a escrita com base no que realmente é cobrado.
Na sua experiência, qual palavra do enunciado mais te confunde: “comentar”, “analisar” ou “apresentar”? E quando você recebeu um pedido vago, o que funcionou para descobrir o formato certo?
Perguntas Frequentes
Se o professor escreveu “faça uma resenha”, isso sempre significa texto com opinião?
Nem sempre. Em muitas escolas, o termo é usado de forma genérica para “texto sobre o livro”. O melhor é verificar se o comando pede critérios, avaliação e justificativa, ou apenas organização do conteúdo.
Posso colocar opinião em um texto de síntese?
Se o pedido for apenas apresentar o conteúdo, a opinião deve ficar fora. Comentários avaliativos mudam o gênero do texto e podem gerar desconto. Se quiser, guarde sua opinião para uma conversa em sala ou para outra atividade.
Como evitar que meu texto crítico vire “achismo”?
Escolha critérios e traga exemplos do texto para sustentar sua análise. Em vez de “é ruim”, explique “não convence por causa de X” e mostre onde isso aparece. Isso deixa seu posicionamento verificável.
Preciso citar trechos do livro?
Depende do que foi pedido. Em geral, exemplos ajudam a justificar pontos em um texto avaliativo, mas não precisam ser longos. Se houver regra de formatação da escola, siga o padrão indicado pelo professor.
O que faço quando o comando é “resumo crítico”?
Normalmente significa: primeiro sintetizar o essencial, depois avaliar com critérios. Separe bem as partes para não misturar tudo no mesmo parágrafo. Um bloco explica, outro comenta e justifica.
Qual é um jeito bom de perguntar ao professor sem parecer que não entendi nada?
Mostre duas opções objetivas: “O senhor prefere que eu apenas apresente o conteúdo ou que eu apresente e avalie com critérios?”. Se possível, leve um rascunho curto para ele confirmar o caminho.
Se a turma toda interpretou diferente, eu posso ser prejudicado?
Pode acontecer, especialmente quando o comando foi vago. Por isso, validar cedo é a melhor prevenção. Quando houver divergência geral, professores costumam ajustar o pedido ou explicar melhor o critério.
Referências úteis
Ministério da Educação — orientações e informações educacionais: gov.br — MEC
Universidade de São Paulo — materiais e conteúdos acadêmicos e culturais: usp.br — USP
UFRGS — recursos institucionais e apoio a estudos e pesquisa: ufrgs.br — UFRGS
