Uma resenha bem feita não é “encher linhas”: é registrar o que a obra diz, como diz e o que isso significa para um leitor específico. Quando você tem uma estrutura clara, fica mais fácil ler com atenção, separar ideias e escrever sem travar.
Este material traz um modelo de resenha preenchível, com campos objetivos e decisões práticas para você adaptar a livro, filme, artigo, aula, evento cultural ou trabalho escolar. A ideia é você escrever com segurança, sem perder a mão no resumo e sem deixar sua avaliação virar opinião solta.
Use como roteiro: primeiro você coleta informações, depois organiza, e só então redige. Isso evita o erro comum de começar “no impulso” e terminar com um texto confuso ou repetitivo.
Resumo em 60 segundos
- Defina o tipo de resenha: descritiva (mais síntese) ou crítica (síntese + avaliação).
- Anote dados básicos da obra: autor, título, ano, edição/plataforma e contexto.
- Registre a tese/ideia central em 1 frase, com suas palavras.
- Liste 3 a 5 pontos do conteúdo (capítulos/partes/argumentos) em tópicos.
- Selecione 2 evidências: cenas, trechos, conceitos ou exemplos que sustentem sua leitura.
- Decida seu critério de avaliação (clareza, consistência, relevância, linguagem, público-alvo).
- Escreva um parágrafo de síntese e um parágrafo de avaliação, sem misturar tudo.
- Feche indicando para quem a obra serve (e para quem pode não servir), com justificativa.
O que é resenha e o que não é

Resenha é um texto que apresenta uma obra e posiciona o leitor diante dela. Em geral, combina síntese do conteúdo com contextualização e, quando for crítica, com avaliação argumentada.
Não é só resumo. Também não é “gostei/não gostei” sem critérios. Um bom texto mostra o assunto, o caminho que a obra faz e a razão do seu julgamento, usando exemplos concretos.
Na prática, pense assim: o leitor termina sua resenha entendendo o essencial da obra e conseguindo decidir se vale ler/assistir/usar para um objetivo específico.
Antes de escrever: 15 minutos que evitam retrabalho
Reserve um tempo curto para preparar seu material. Isso muda a qualidade do texto mais do que “caprichar no português” no fim, porque evita contradições e repetição.
Abra uma folha (ou bloco de notas) com três áreas: dados, conteúdo e avaliação. Em “dados”, registre autor, título, ano e gênero. Em “conteúdo”, liste as partes principais. Em “avaliação”, escreva seus critérios e exemplos.
Exemplo comum no Brasil: quando a resenha é para escola, o professor costuma cobrar se você entendeu o tema e se consegue justificar. A justificativa nasce dessas anotações, não de frases “bonitas”.
Como escolher o tipo certo: descritiva ou crítica
A resenha descritiva prioriza explicar a obra com fidelidade, com pouca avaliação explícita. Ela funciona bem quando o objetivo é apresentar um texto, capítulo ou artigo para a turma.
A resenha crítica inclui julgamento argumentado: o que a obra resolve bem, o que deixa fraco e por quê. Ela é comum em vestibular, faculdade e clubes de leitura que discutem qualidade, impacto e escolhas do autor.
Regra prática: se o enunciado pede “analisar”, “avaliar”, “posicionar-se” ou “argumentar”, trate como crítica. Se pede “apresentar” ou “resumir”, vá de descritiva com toques leves de apreciação.
Modelo de resenha para preencher
Copie e cole os campos abaixo e preencha com frases curtas. Depois, transforme em texto corrido.
1) Identificação da obra
Obra: [título] — [autor] — [ano/edição/plataforma] — [gênero: romance, filme, artigo, etc.]
Contexto: [quando/onde circula; por que é relevante no seu contexto]
2) Apresentação em 2 frases
Sobre o que é: [tema e recorte em 1 frase]
O que a obra tenta fazer: [objetivo, proposta ou pergunta central]
3) Ideia central (tese) em 1 frase
Tese/ideia principal: [“Em essência, a obra defende/mostra…”]
4) Síntese do conteúdo (3 a 6 pontos)
Estrutura:
[Ponto 1: parte/capítulo/cena + o que acontece/argumenta]
[Ponto 2: parte/capítulo/cena + o que acontece/argumenta]
[Ponto 3: parte/capítulo/cena + o que acontece/argumenta]
[Opcional: Ponto 4/5/6]
5) Evidências (2 itens concretos)
Evidência A: [cena/trecho/conceito] + [por que é importante]
Evidência B: [cena/trecho/conceito] + [por que é importante]
6) Avaliação com critério (escolha 2 a 4)
Critérios escolhidos: [clareza] [consistência] [profundidade] [linguagem] [originalidade] [relevância] [fontes] [impacto]
Ponto forte: [o que funciona] + [exemplo]
Ponto fraco/limite: [o que falha ou falta] + [exemplo]
7) Para quem serve (e para quem pode não servir)
Indicação: [perfil de leitor] + [objetivo: estudar, iniciar no tema, lazer, etc.]
Ressalva: [quem pode achar difícil/limitado] + [por quê]
8) Fechamento em 1 frase
Conclusão: [síntese + avaliação final sem exageros]
Como transformar o preenchimento em texto corrido
Depois de preencher, junte as partes em uma sequência simples: apresentação da obra, síntese do conteúdo, avaliação com critérios e fechamento com indicação. Essa ordem “carrega” o leitor sem sustos.
Uma técnica prática é escrever um parágrafo por bloco. Por exemplo: um parágrafo para “identificação + apresentação”, outro para “síntese”, outro para “avaliação”, e um último para “indicação + conclusão”.
Se você tentar colocar tudo no mesmo parágrafo, costuma acontecer o erro clássico: você resume, opina, volta a resumir e termina sem conclusão.
Erros comuns que derrubam a nota (e como corrigir)
Erro 1: recontar tudo. Correção: selecione 3 a 5 pontos estruturais e pare aí. O objetivo é mostrar o eixo, não reescrever a obra.
Erro 2: opinião sem critério. Correção: toda avaliação precisa de um critério e uma evidência. “A narrativa é lenta” só vale se você explicar onde e como isso afeta o efeito.
Erro 3: confundir autor e narrador. Correção: diga “o texto sugere” ou “a personagem afirma”, e só atribua ao autor quando estiver claro que é uma tese da obra.
Erro 4: adjetivos em excesso. Correção: troque “incrível”, “péssimo”, “maravilhoso” por descrição concreta do resultado (“argumento bem encadeado”, “exemplo fraco”, “final apressado”).
Regra de decisão prática: o que entrar e o que ficar fora
Use a regra 70/30: 70% do texto explicando a obra (síntese organizada) e 30% avaliando com critérios. Em resenha crítica curta, essa proporção pode se aproximar de 60/40, desde que a síntese continue clara.
Outra regra útil é o “teste do leitor perdido”: se alguém que não conhece a obra ler sua resenha, consegue entender o básico sem você estar do lado explicando? Se não, falta síntese e ordem.
Quando sobrar dúvida do que cortar, corte exemplos repetidos. Mantenha os que melhor representem o argumento central.
Variações por contexto no Brasil
Escola: priorize fidelidade ao conteúdo e clareza. Professores costumam valorizar se você identifica tema, conflito/argumento e conclusão da obra, com linguagem direta.
Vestibular: foque no recorte do comando: quem avalia quer ver leitura atenta e justificativa. Se a proposta pede resenha de uma fábula, por exemplo, o “efeito” e a moral implícita pesam mais do que detalhes.
Faculdade: use critérios acadêmicos: consistência, diálogo com ideias do campo, uso de conceitos e coerência interna. Cuidado com citações longas: melhor comentar um trecho curto com precisão.
Blog pessoal ou clube de leitura: você pode trazer contexto de recepção (para quem é, em que momento funciona), mas sem virar sinopse extensa. O diferencial é explicar o “porquê” da sua recomendação ou ressalva.
Quando chamar um profissional ou buscar orientação
Se a resenha vale nota alta, publicação ou faz parte de trabalho acadêmico maior, vale pedir revisão e orientação. Um professor, monitor, bibliotecário ou revisor pode ajudar a ajustar estrutura, referências e adequação ao gênero.
Isso é especialmente importante quando há exigência formal (normas, citação, referências) ou quando você precisa evitar interpretações arriscadas, como atribuir intenção ao autor sem base no texto.
Na prática, o apoio externo não “faz por você”: ele aponta falhas de lógica e clareza que você já não percebe depois de reler muitas vezes.
Prevenção e manutenção: como não travar na próxima resenha

Crie um hábito simples: a cada obra, registre três itens no fim da leitura. (1) uma frase de tese, (2) três pontos estruturais e (3) um critério de avaliação com exemplo. Isso vira matéria-prima pronta.
Outra prevenção é ter um “banco de critérios” para escolher rápido: clareza, coerência, originalidade, relevância, linguagem, evidências e adequação ao público. Você escolhe dois e escreve com foco.
Se o prazo estiver curto, faça primeiro o preenchimento do modelo e só depois transforme em texto. Esse passo intermediário diminui a chance de esquecer partes essenciais.
Checklist prático
- Defini se o texto será mais descritivo ou terá avaliação argumentada.
- Registrei autor, título, ano/edição e gênero da obra.
- Escrevi a ideia central em uma única frase, com minhas palavras.
- Listei de 3 a 5 pontos do conteúdo, sem recontar detalhes demais.
- Escolhi duas evidências concretas para sustentar minha leitura.
- Defini de 2 a 4 critérios de avaliação antes de opinar.
- Transformei cada bloco em um parágrafo com começo, meio e fim.
- Evitei confundir narrador, personagem e autor.
- Troquei adjetivos vagos por explicações e exemplos.
- Indiquei para quem a obra é adequada, com justificativa.
- Revisei para cortar repetição e organizar a sequência de ideias.
- Chequei se o leitor entende a obra sem precisar de contexto extra.
Conclusão
Uma boa resenha nasce de duas decisões simples: o que é essencial para entender a obra e quais critérios você usará para avaliá-la. Quando você preenche um roteiro e só depois redige, o texto fica mais claro e menos repetitivo.
Se você quiser, use este modelo de resenha como padrão e ajuste apenas o “tipo de obra” e os critérios. Com o tempo, você cria uma voz própria sem perder estrutura.
Qual parte você acha mais difícil: resumir sem recontar tudo ou justificar sua avaliação com exemplos? E em que contexto você mais escreve resenha: escola, vestibular, faculdade ou por hobby?
Perguntas Frequentes
Quantos parágrafos uma resenha precisa ter?
Depende do tamanho pedido, mas uma estrutura segura é: apresentação, síntese, avaliação e fechamento. Em textos curtos, dá para fazer em 3 a 4 parágrafos bem fechados.
Posso usar primeira pessoa (“eu achei”)?
Pode, principalmente em blog e clube de leitura, mas sempre com critério e exemplo. Em contexto acadêmico, muitas vezes é melhor usar “o texto sugere” e justificar com evidências.
Como evitar que minha resenha vire sinopse?
Defina um limite de pontos do conteúdo (3 a 5) e pare aí. O restante do espaço deve ser usado para explicar relevância, escolhas e efeitos, com critérios.
Preciso citar trechos da obra?
Não é obrigatório em todos os contextos, mas ajuda quando você quer sustentar uma interpretação. Se citar, use trechos curtos e comente o que eles provam no seu argumento.
Qual é a diferença entre resumo e resenha?
Resumo apresenta o conteúdo de forma condensada e fiel. Resenha apresenta e posiciona o leitor, podendo incluir avaliação e recomendação justificada.
Como escolher um critério de avaliação rápido?
Escolha dois entre clareza, coerência e relevância, e procure um exemplo para cada um. Isso já cria uma avaliação consistente sem exigir “inventar opinião”.
Como fechar uma resenha sem exagerar?
Retome a ideia central e diga para quem a obra funciona melhor, com uma ressalva realista. Fechamentos simples costumam soar mais confiáveis do que frases grandiosas.
Referências úteis
UFRGS — vídeo sobre elaboração de resenha: ufrgs.br — elaboração de resenha
UFRGS — PDF com orientações práticas: ufrgs.br — como fazer resenha
UFSC — manual de gêneros acadêmicos (resenha): ufsc.br — manual de resenha

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