Quando uma tarefa pede “texto sobre o livro”, muita gente trava porque não sabe se o professor quer um resumo, uma resenha ou uma ficha de leitura. A confusão é normal, porque os três formatos parecem parecidos por fora, mas têm objetivos bem diferentes.
Na prática, a escolha certa depende do que precisa aparecer no papel: só o conteúdo (síntese), o seu julgamento (avaliação) ou um registro de estudo para usar depois. Entender essa diferença evita nota baixa por “fugir do gênero” e também economiza tempo na hora de escrever a redação.
O ponto-chave é simples: cada formato responde a uma pergunta. O resumo responde “sobre o que é?”. A resenha responde “vale a pena e por quê?”. A ficha de leitura responde “o que eu preciso guardar para estudar e citar?”.
Resumo em 60 segundos
- Leia o enunciado e sublinhe o verbo: “resumir”, “comentar”, “avaliar”, “registrar”, “fichar”.
- Se pedirem só ideias centrais sem opinião: escolha resumo.
- Se pedirem posicionamento, comparação, recomendação ou crítica: escolha resenha.
- Se pedirem registro para prova, trabalho ou pesquisa: escolha ficha de leitura.
- Antes de escrever, defina o “produto final”: entregar para nota ou usar como material de estudo.
- Esboce em 5 linhas: tema, objetivo do autor, 3 ideias principais, conclusão do texto.
- Escolha 1 exemplo do livro/texto que prove seu ponto (sem contar a história inteira).
- Revise com um teste rápido: “Se eu tirar minha opinião, ainda faz sentido?” Se sim, é resumo; se não, tende a ser resenha.
O que muda de verdade entre os três formatos

Resumo, resenha e ficha de leitura podem falar do mesmo livro, mas não “entregam” a mesma coisa. O erro mais comum é colocar opinião no resumo ou apenas recontar a obra na resenha.
Pense nos três como ferramentas. Uma serve para mostrar compreensão do texto, outra para mostrar análise e outra para montar um arquivo de estudo. Quando você usa a ferramenta errada, o texto pode ficar bem escrito e ainda assim perder ponto.
Na escola, a diferença costuma aparecer na correção: no resumo, o professor penaliza julgamento (“achei ótimo”). Na resenha, penaliza falta de argumento (“é bom” sem explicar). Na ficha, penaliza falta de rastreio (sem dados bibliográficos, sem páginas, sem organização).
Quando escolher resumo e o que ele precisa entregar
Escolha resumo quando a tarefa quer verificar se você entendeu o texto e consegue sintetizar. É comum em provas, atividades de leitura, relatórios de capítulo e preparação para discussão em sala.
O resumo funciona como uma “redução fiel” das ideias do autor. Você troca o texto original por um texto menor, mantendo o sentido, a ordem lógica e as informações centrais.
Um bom sinal é o enunciado pedir “principais pontos”, “ideias centrais” ou “síntese”. Se o professor não pediu avaliação, você evita adjetivos e evita “eu acho”.
Mini-roteiro de resumo (sem enrolação)
Comece com 1 frase dizendo o assunto e o objetivo do texto. Em seguida, traga 3 a 5 ideias principais em ordem. Feche com a conclusão do autor, não com a sua.
Exemplo realista: em vez de recontar todos os acontecimentos de um capítulo, você resume a virada central e explica o efeito dela na história. Isso mostra compreensão sem virar “narração completa”.
Quando escolher resenha e o que ela precisa provar
Escolha resenha quando a tarefa pede mais do que entendimento: pede avaliação. Ela aparece em trabalhos de literatura, filmes, eventos culturais, livros de não ficção e até em textos acadêmicos introdutórios.
A resenha mistura síntese com julgamento, mas o julgamento precisa ser justificável. Não é “gostar ou não gostar”; é argumentar com critérios, mostrando que você entendeu a obra e consegue avaliá-la.
O ponto que muda tudo é este: a resenha precisa responder “para quem isso serve” e “o que funciona ou não funciona”. Um exemplo ajuda: comparar o estilo do autor com a proposta do livro, ou mostrar onde a obra é coerente e onde se contradiz.
Fonte: unicamp.br — resenha
Quando escolher ficha de leitura e como ela evita retrabalho
Escolha ficha de leitura quando você precisa guardar informações para usar depois. Ela é comum no ensino médio, em cursinhos, na faculdade e em projetos que exigem citação, comparação de autores ou revisão para prova.
O segredo da ficha não é “escrever bonito”, e sim organizar. Ela registra referência, conceitos, argumentos, exemplos, trechos-chave e as suas observações, tudo de um jeito que dê para achar depois.
Na prática, a ficha vira um mapa. Quando você for escrever um trabalho, você não relê tudo do zero: você volta na ficha, encontra a ideia e localiza a página. É por isso que a ficha costuma valer mais do que um “resumo corrido” para estudar.
Fonte: ufmg.br — fichamento
Como escolher entre os três em tarefas de redação
Quando a escola mistura gêneros, o melhor critério é olhar o que será avaliado. Se a nota depende de fidelidade ao texto, vá de resumo. Se depende de argumentação e repertório, a resenha ajuda mais. Se depende de pesquisa e organização, a ficha de leitura é a base.
Uma regra prática funciona bem: se você precisa entregar “um texto pronto para leitura” para alguém, tende a ser resumo ou resenha. Se você precisa entregar “material para você mesmo usar depois”, tende a ser ficha.
Exemplo comum no Brasil: no cursinho, um professor pode pedir “resumo do capítulo” para checar leitura. Já em literatura, pode pedir “resenha do livro” para ver interpretação e posicionamento. Na faculdade, “fichamento” costuma ser para seminário, artigo ou TCC.
Passo a passo prático para produzir cada formato
Passo a passo do resumo
Leia marcando tese/tema, argumentos e conclusão. Em seguida, escreva um parágrafo curto de apresentação e liste 3 a 5 ideias principais.
Reescreva com suas palavras, mantendo o sentido e evitando exemplos secundários. Por fim, revise para remover opinião, adjetivos avaliativos e “comentários pessoais”.
Passo a passo da resenha
Faça um resumo bem curto da obra (o suficiente para situar). Depois, escolha 2 a 3 critérios de avaliação: clareza, consistência, profundidade, estilo, relevância, evidência, originalidade.
Defenda seu ponto com exemplos: uma passagem, uma escolha de estrutura, um argumento do autor. Feche com recomendação contextualizada (“para quem é útil”) e limites (“para quem pode não funcionar”).
Passo a passo da ficha de leitura
Comece com referência completa (autor, título, edição, editora, ano). Depois, crie blocos: conceitos, argumentos, exemplos, citações e comentários.
Inclua páginas sempre que possível. Se a obra for digital, use localização ou capítulo. No final, escreva 5 linhas com “como posso usar isso” em uma prova ou trabalho.
Erros comuns que derrubam nota
No resumo, o erro clássico é virar “opinião disfarçada”. Frases como “o autor acerta” ou “é uma história bonita” já mudam o gênero e podem ser penalizadas.
Na resenha, o erro comum é recontar demais. Quando a maior parte do texto é narrativa do enredo, sobra pouco espaço para análise, e a resenha vira um resumo grande.
Na ficha de leitura, o erro que mais atrapalha é falta de rastreio. Sem páginas, sem divisão por tópicos e sem referência, você até registra ideias, mas depois não consegue comprovar nem reencontrar o trecho.
Regra de decisão prática quando o enunciado é confuso
Quando o professor escreve algo como “faça um texto sobre o livro”, use três perguntas rápidas. O texto deve ter opinião? Precisa citar partes específicas com referência? Precisa apenas apresentar o conteúdo para quem não leu?
Se a resposta for “opinião sim”, vá de resenha. Se for “citar e guardar para estudo”, vá de ficha. Se for “apresentar conteúdo sem julgamento”, vá de resumo.
Se ainda ficar dúvida, dá para fazer um ajuste seguro: escreva um resumo curto e acrescente um parágrafo final com avaliação apenas se o enunciado abrir espaço para isso. Quando o comando é restrito, evite “inventar” uma parte crítica.
Variações por contexto no Brasil
Na escola (fundamental e médio), o resumo costuma servir para treino de compreensão e síntese. A correção costuma focar clareza, fidelidade e coesão, com menos exigência de referência bibliográfica.
No vestibular e no Enem, “resumo” e “resenha” aparecem mais como exercícios de leitura do que como gênero cobrado diretamente na prova. Mesmo assim, treinar os dois ajuda a construir repertório, organizar ideias e sustentar argumentos.
Na faculdade, a ficha de leitura ganha força porque vira base de seminários, artigos e projetos. A cobrança tende a incluir referência, estrutura e capacidade de dialogar com outros autores.
No trabalho, “resumo executivo” costuma ser o nome mais usado. A lógica é a mesma do resumo: síntese objetiva para tomada de decisão, geralmente com foco em tópicos e consequências práticas.
Fonte: inep.gov.br — cartilha Enem
Quando chamar um profissional ou pedir orientação
Se a tarefa vale nota alta e o enunciado está realmente ambíguo, vale pedir esclarecimento ao professor antes de produzir o texto inteiro. Uma pergunta curta evita retrabalho e reduz a chance de “fugir do gênero”.
Se a dificuldade é recorrente, procurar monitoria, plantão de dúvidas ou orientação pedagógica costuma ajudar mais do que só “ver modelos”. O ganho vem do feedback sobre seu texto, não só da teoria.
Em contextos formais, como trabalhos acadêmicos com normas específicas, é comum precisar de orientação de biblioteca, laboratório de escrita ou coordenação. As regras podem variar conforme curso, instituição e disciplina.
Prevenção e manutenção para não se confundir na próxima tarefa

Guarde três modelos curtos, um de cada gênero, e compare sempre que surgir uma nova atividade. Ter um “padrão mental” acelera a escolha e reduz erro por impulso.
Crie uma rotina mínima: antes de escrever, faça um esqueleto de 6 linhas. Se o esqueleto pede opinião, já sinaliza resenha. Se pede páginas e trechos, sinaliza ficha. Se pede apenas ideias centrais, sinaliza resumo.
Por fim, revise com o “teste da intenção”. Pergunte: “O leitor quer entender a obra, avaliar a obra ou estudar a obra?”. Se a sua resposta não bater com o enunciado, ajuste antes de entregar.
Checklist prático
- Eu identifiquei o verbo do enunciado e o objetivo da tarefa.
- Eu sei se posso ou não incluir opinião sem perder ponto.
- Eu consigo explicar o tema e a tese do texto em 1 frase.
- Eu separei 3 a 5 ideias principais em ordem lógica.
- Eu cortei exemplos secundários que só “alongam” o texto.
- Se for avaliação, eu escolhi 2 ou 3 critérios claros para julgar a obra.
- Se for avaliação, eu trouxe ao menos 1 exemplo concreto que sustente meu ponto.
- Se for registro de estudo, eu escrevi a referência completa da obra.
- Se for registro de estudo, eu anotei páginas ou capítulo/localização.
- Eu organizei as notas por tópicos fáceis de localizar depois.
- Eu revisei para remover frases vagas e adjetivos sem justificativa.
- Eu fiz uma última leitura pensando no avaliador: “isso parece o gênero pedido?”.
Conclusão
Resumo, resenha e ficha de leitura não competem entre si: cada um resolve um problema diferente. Quando você escolhe pelo objetivo da tarefa, o texto fica mais curto, mais claro e mais fácil de corrigir.
Na dúvida, volte ao enunciado e use as três perguntas: precisa só sintetizar, precisa avaliar ou precisa registrar para estudar e citar depois? Essa decisão simples evita o erro mais caro, que é caprichar no texto e errar o formato.
Na sua rotina, qual tipo aparece mais: síntese de capítulos, avaliação de obras ou registro para prova e trabalho? E o que mais te confunde na hora de começar: separar ideias principais ou argumentar com exemplos?
Perguntas Frequentes
Posso colocar opinião no resumo?
Em geral, não. Se a tarefa pede resumo, o foco é fidelidade e síntese, sem julgamento. Se o enunciado permitir “comentário”, aí você pode reservar um parágrafo separado, curto e bem justificado.
Resenha é a mesma coisa que “resumo com opinião”?
Ela inclui síntese, mas não se limita a isso. A parte central da resenha é a avaliação com critérios e exemplos. Se a opinião não tiver sustentação, vira impressão pessoal e perde força.
Ficha de leitura precisa ter citação e página sempre?
Não é sempre obrigatório, mas é o que mais faz a ficha valer a pena. Sem indicação de página, você até registra ideias, mas depois não consegue localizar nem comprovar. Em textos digitais, use capítulo ou localização.
Quantas linhas deve ter um resumo escolar?
Depende do comando e do tamanho do texto original. Um bom parâmetro é caber em 1 a 3 parágrafos, cobrindo tema, ideias centrais e conclusão. Se você está recontando detalhes, provavelmente passou do ponto.
Como evitar que a resenha vire “spoiler”?
Resuma o mínimo para situar e foque no que a obra faz, não em tudo o que acontece. Você pode comentar escolhas do autor, construção de personagens e coerência, sem revelar viradas principais.
O professor pediu “fichamento” e eu só fiz um resumo. Perco tudo?
Pode perder parte da nota, porque o gênero muda o que é avaliado. Dá para corrigir rápido: adicione referência completa, separe por tópicos, inclua páginas e registre suas observações e trechos-chave.
Isso ajuda na redação do Enem mesmo sem cair “resenha” na prova?
Ajuda porque treina leitura ativa, síntese e argumentação. Quem resume bem entende melhor o texto; quem faz resenha bem aprende a justificar ponto de vista. Isso costuma melhorar repertório e organização de ideias.
Referências úteis
Ministério da Educação — base curricular e leitura escolar: gov.br — BNCC
UFMG — orientações de normalização e resumo acadêmico: ufmg.br — normalização
Sistema de Bibliotecas — fichamentos e organização de estudos: sp.gov.br — fichamentos

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